Tutorial minitérmicos
Este guia é destinado a todos que desejam começar na fascinante arte de voar um planador rádio controlado dessa categoria, visa aclarar minimamente alguns pontos realmente importantes segundo minha experiência nos planadores RC. Não se trata de proposição simplesmente, não é o que "eu acho" e sim fatos testados e comprovados na pratica, competição a competição, e também do que é discutido/falado dentre nosso grupo em campo e se torna verdade unânime.
A modalidade
--- Como e quando tudo começou
--- Regras lá e cá
--- Histart padrão
--- Sobre o campo de voo
- O modelo
--- Fórmula do sucesso
--- Eletrônica que se pode e se deve utilizar
--- Algumas plantas, cálculos, idéias e proporções "adotáveis"
------ Asas
------ Fuzelagens
------ Decalagem e CG
------ Lastros e ganchos
--- Modelos ARF e RTF no mercado
- Setup de rádio e comandos.
--- Dual Rate
--- Mixagens que uso
A modalidade
Basicamente consiste em definir uma janela de tempo de 5 minutos, onde os pilotos e seus ajudantes ( que se prestam a apanhar o histart para o piloto e contar o tempo de voo) lançam seus modelos atravéz de histart (ex: http://www.youtube.com/watch?v=SlXiH6yQ8QI) e tentam permanecer o maior tempo voando, tempo que é contado a partir do momento que o modelo desengancha do histart até o momento que ele pousa. Cada piloto tem duas chances de fazer o seu melhor voo dentro dessa janela, valendo sempre o ultimo voo. O Pouso deve ser feito de uma área razoavelmente grande para evitar que o piloto pouse seu modelo a kilometros de distancia. Cada piloto tem vários "rounds" com essas janelas (geralmente de 5 a 10) e ganha o piloto que obtiver os maiores tempos de voo nessas janelas em relação aos outros competidores.
Como e quando tudo começou
Sem dúvida foi na Argentina na década de 90, a idéia sempre foi a mesma, ter uma categoria de iniciação para pilotos menos experientes, usando modelos menores e por isso mais práticos para fazer e transportar, mas com o mesmo gosto de pilotar e sentir o prazer de subir numa térmica.
No final de 2005, justamente no ano em que começamos a voar aqui em SP, a Federação Argentina de Aeromodelismo regulamentou a categoria como classe nacional, pois nesse pais a classe sempre fez grande sucesso.
Aqui em SP tentou-se vincular o nome da classe com o modelo Térmica II da casa Aerobrás afim de facilitar a participação para quem nao soubesse o que e como construir, mas logo notou-se que a asa frágil para a força exercida pelo Histart e a pouca corda e perfil alto do Térmica nao dava conta do recado, começaram então a aparecer modelos dos mais variados tamanhos e formas, mas isso é assunto pra outro tópico que veremos depois.
Sem dúvida o grande incentivador desde o inicio foi o Gustavo Exel que além de providenciar a pontuação em todas as competições chegou a comprar os histarts sozinho e oferecer para uso dos competidores sem custo. Devo mencionar também o Sergio Handa que sempre deu a maior força para que a classe se estabelecesse aqui em SP, ajudando sempre com dicas importantes à todos iniciantes na modalidade.
Hoje existem praticantes e competições regulares em SP, e RJ e o número de adeptos só tende a aumentar, pois com o mínimo de investimento em equipamento consegue-se o prazer de pilotar um modelo sem motor com grande "vontade" e aptidão em subir nas minimas correntes ascendentes.
Como eu faço para começar?
Se voce for de SP ou RJ facilita, basta acessar nosso calendário disponível no site www.e-voo.com e aparecer para assistir uma competição, teremos prazer em apresentar a categoria para voce.
Links Argentinos:
http://www.geocities.com/planeadoresrc
http://www.geocities.com/planearti/arch_articulos/termicas.html
FAA - http://www.faa.org.ar/index2.htm
Regras lá e cá
Temos algumas diferenças, basicamente o regulamento daqui é mais simples, por exemplo, não exige uma área "rigidamente delimintada" para pouso, tampouco inclui descate de um voo na série, nem exige esticamento máximo do elástico para lançamento.
Regulamento Oficial FAA - http://www.faa.org.ar/regla/PLANRC/minitermicos2005.htm
http://gustavo.exel.com.br/rc/class-t150/regras.html#regras
Histart padrão
Apenas retirei das regras nacionais.
"Os hi-starts usados sao todos identicos, com 9 metros de tubo cirurgico #200, de 5mm de diametro externo e 3mm interno e mais 40 metros de linha de pesca, sendo que usamos inicialmente linha 0.45 mas como algumas linhas se romperam vamos passar todos para linha 0.57... "
Dicas de compras:
Elástico cirurgico: http://www.rimed.com.br/
Linha de pesca http://www.pesca.com.br
Sobre o campo de voo
Não quero entrar em detalhes a respeito do campo, só gostaria de mencionar que preferencialmente o campo para voo de planadores minitérmicos deve ser plano e ter amplo gramado sem arvores, geralmente competimos em uma area não maior que 100 metros por 100 metros.
Nosso modelo não dispoe de freio, logo precisamos de uma boa área para fazer uma aproximação baixa para pouso de segurança. Fazer voo em circulos pode ser uma boa alternativa para dissipar energia no caso de pousar em espaços apertados.
Obviamente locais que tem mais atividade termal ou gatilhos são locais onde se voa mais tempo e obviamente mais pilotos farão o tempo máximo de vôo, mas nem por isso, os locais sem bolhas ou termais deixam de ser interessantes, pois neles também testamos habilidade e sensibilidade entre os pilotos.
O MODELO
A fórmula do sucesso
LEVEZA e PERFIL FINO
Essa é sem dúvida fórmula que faz um modelo pequeno como um minitérmico voar bem, é certo hoje que já conseguimos construir um modelo mais leve do que é necessário (abaixo de 220g), mesmo sabendo que é melhor voce ter um modelo leve com lastro no CG do que um modelo pesado ( teoria de peso próximo ao CG que diminui a força necessária para alterar qualquer eixo), com o peso espalhado pela asa e fuzelagem, tudo tem seu limite.
Sobre o peso minimo: Existe um consenso de que o modelo ultra leve (200g ou menos) terá um desempenho muito melhor do que qualquer outro com mesma área alar. Porém SÓ EM CONDIÇÃO ONDE O VENTO E A ATIVIDADE TERMAL É ZERO que sabemos, esses dias são muito dificeis ou impossíveis de ocorrer. Mesmo assim, há competidores que tem um modelo para "vento zero" guardado no carro, para voar nesses dias raros, onde o que manda é a leveza.
Sobre Perfis: Invariavelmente são perfis de corrida ou muito finos, com baixo arrasto, semi-simétricos e pouco camber, MH32, os controversos AGs (Vale aqui uma ressalva, excelente o rendimento dos AGs 36, 37 etc especialmente projetados para construção convencional em balsa), MBs, mas todos eles com 7% a 9% de grossura no máximo. Muito dificeis de construir com balsa e se feitos de isopor fibrado,com os problemas de peso e resistenciade sempre.
Porque leve? pra ter baixo afundamento.
Porque Perfil fino/veloz? Para penetrar mesmo tendo pouco peso, e poder retornar contra o vento após subir numa termal, ou poder surfar entre termais livremente.
Explicando melhor, muitas vezes o vencedor de uma rodada é o que pode ir mais longe, ou por mais tempo ficar na termal, isso quer dizer ir láaaa para sotavento (a favor) e ter que voltar e pousar dentro da área delimitada para validar seu vôo, somente modelos que aliam leveza e um perfil fino/baixo arrasto podem voar mais longe e retornar a salvo.
Eletrônica que pode e deve ser utilizada
Em primeiro lugar o conjunto é que vence, nao adianta gastar "os tubos" nos eletronicos e ter um planador todo funhunhado, ter o melhor conjunto que o seu bolso pode pagar te livra (muitas vezes) da lenha.
Servos - Um planador de competição está sempre sendo trimado, voce sempre quer por ou tirar peso do nariz, mesmo que voe assim mesmo
planadoristas querem o rendimento máximo de seus modelos, por isso, a precisão nos servos é fundamental principalmente no servo pro profundor - SEMPRE USE SEU MELHOR SERVO NO PROFUNDOR - um servo de má qualidade ou uma má linkagem causando ponto neutro duplo (cabrou ficou cabrado, picou ficou picado) pode estragar seu dia de vôos. Prefira marcas conhecidas ENTRE OS planadoristas pois outras categorias ( ex 3D) exigem menos precisão.
Receptor - Recomendo fortemente uso de receptores dual conversion, nada se single, gosto muito dos Futaba full sem a cx (porém devidamente protegidos com depron e filamentosa) e os Hitec 555 já fora de linha e gosto muito pouco dos Berg, passo longe.
Note que a interferencia está associada ao local onde se voa, um receptor ruim para um nem sempre o é para voce, e vice versa.
Baterias - Usei por muito tempo NiCAD de 250 e 300mAh, passei pelas MH fração (2/3) de palito, e agora uso LIPO 2S de 250mAh com um BEC.
Algumas plantas, cálculos, idéias e proporções "adotáveis"
Sobre plantas: acho que tem pouca coisa disponível na web, o pessoal na Argentina voa muito o Obsession ( http://www.geocities.com/planenoti/pag_planos/obssesion.jpg ) ou o Pasion ( http://www.geocities.com/planenoti/pag_planos/planos.htm?200714#passion )no RJ preferiram reduzir a planta do Gentle Lady de 2m da Carl Goldberg, esse é um excelente começo se voce não se esquecer do que já foi falado sobre a "fórmula do sucesso".
PODS: http://www.sure.com.br/galeria/aero/podbalsa.asp ou mais recentemente http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=21674&highlight=pod, outra opção é usar um pod fabricado em fibra de vidro como o do nosso amigo Harpia http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=22201&highlight=pod.
Sobre Modelos prontos: Temos algumas opções baratas e várias caras no mercado, as baratas seriam o kit do skeeter o fling e o swing, todos esses com menos de 1,5m de envergadura que para algumas condições significa ficar para trás, as opções "caras" seriam o highlight e o photonII, que são excelentes voadores.
Sobre como lançar o modelo no histart: veja as primeiras fotos desse album, http://good-times.webshots.com/album/558859001AWsdlZ ao lançar o modelo para cima conseguimos que o modelo ganhe mais alguns metros pois já sai acelerado e nao afunda tanto logo que sai da mão.
Sobre construção de modelos
Muita coisa pode ser feita com um pouco de paciência e dedicação, a categoria minitérmicos permite que se projete/construa seu próprio modelo sem gastar muito, pois é uma categoria de entrada. Se preferir voce pode comprar "componentes" e junta-los em casa, por exemplo uma asa pode ser comprada pronta, um POD, etc.
POD: http://www.sure.com.br/galeria/aero/podbalsa.asp ou mais recentemente http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=21674&highlight=pod, outra opção é usar um pod fabricado em fibra de vidro como o do nosso amigo Harpia http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=22201&highlight=pod.
ASA:
Página da construção ASA Alegrinho: http://gustavo.exel.com.br/rc/fleet-timmaia/index.html
Link planta da asa do alegrinho para corte a laser: http://planadores.v10.com.br/dw.html
Planilhas de cálculo:
Calcular diedros: http://www.charlesriverrc.org/articles/design/eda1.xls
Na planilha acima use:
Modelos RC com aileron: EDA entre 2 e 7 graus
Modelos RC sem aileron: EDA (minimo 8) e entre 10 e 14 graus